O papel da leitura na (re)construção da identidade da criança migrante: o exemplo de Pássaro que voa, de Claudio Hochman

Juliana Garbayo dos Santos

Resumen


Este artigo propõe uma reflexão sobre o papel da leitura como ferramenta de resiliência e reconstrução identitária perante os desafios psíquicos suscitados pela migração. Após uma investigação qualitativa sobre a opinião de um pequeno grupo psiquiatras infantis e psicólogos quanto à contribuição da leitura para a elaboração do luto inerente à migração, analisamos, à luz das respostas, o livro infantojuvenil Pássaro que voa. A obra foi escolhida por atender a dois critérios: ser uma publicação recente em Portugal e estar disponível na rede de bibliotecas municipais da cidade onde se deu o estudo — e, portanto, acessível à população local de forma gratuita e igualitária. Praticamente todos os temas que os profissionais entrevistados apontaram como relevantes para a criança migrante — como questões identitárias,  respeito às diferenças, exclusão social, perdas, saudades, medos, luto e esperança — estão presentes na obra. Acreditamos que, ao abordar tópicos disruptivos e validar sentimentos de perda, saudade, medo e estranhamento, este e outros livros do gênero podem contribuir para a criação de uma sociedade mais empática e verdadeiramente intercultural.

Palabras clave


migração; leitura; livro infantil; multiculturalismo; Pássaro que voa

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DOI: http://dx.doi.org/10.15645/Alabe2021.23.9